Prêmio às guardiãs e aos guardiões de sementes – em homenagem à Emília Alves Manduca

Sobre o Prêmio

#AHistóriaQueEuCultivo vai premiar experiências de promoção da agrobiodiversidade e de resistência a ameaças como a contaminação de sementes, mudas e alimentos por transgênicos, agrotóxicos ou perdas pelas queimadas. A iniciativa reunirá relatos em vídeo, feitos de forma caseira – gravados com celular ou câmeras.

Em destaque, vozes e rostos de agricultoras e agricultores familiares, indígenas, quilombolas, integrantes de comunidades e povos tradicionais, entre outros grupos que desenvolvem práticas de resgate, conservação e uso de sementes crioulas. Consideramos como sementes não só os grãos, mas todas as formas de reprodução da vida, o que também inclui mudas, raízes, ramas e animais.

O Prêmio é uma iniciativa do Grupo de Trabalho (GT) Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e, em sua primeira edição, presta homenagem à Emília Alves Manduca (em memória), animadora de sementes no Mato Grosso. 

16/10

Início das inscrições

10/12

Fim das inscrições

Inscrição

As inscrições vão de 16/10, Dia Mundial da Alimentação, a 10/12, Dia Internacional dos Direitos Humanos


Regulamento

Premiações

Cinco histórias serão premiadas com viagens para intercâmbio de saberes sobre agroecologia. Autoras e autores dos vídeos escolhidos participarão de eventos promovidos pelo GT Biodiversidade da ANA. Em razão da pandemia de Covid-19, detalhes serão definidos no momento seguro para o retorno de deslocamentos e de atividades presenciais.

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Todas as histórias selecionadas receberão certificados emitidos pelo
GT Biodiversidade da ANA. Os documentos vão assegurar a relevância das iniciativas para agroecologia e para o resgate, a conservação e a multiplicação de variedades
de alimentos e sementes no Brasil. As pessoas envolvidas nas experiências agroecológicas serão reconhecidas como guardiãs da  agrobiodiversidade.

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Quinze histórias locais serão selecionadas para ter destaque na divulgação do prêmio, recebendo seus vídeos editados para veiculação nas páginas e nas redes da própria organização ou movimento guardiões e guardiãs da agrobiodiversidade.

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Os vídeos com os relatos mais detalhados sobre as histórias das sementes e sobre os impactos da contaminação das sementes e a resistência a essa realidade vão compor uma história coletiva. A produção, que reunirá trechos de diversos relatos enviados para o prêmio #AHistóriaQueEuCultivo, dará ênfase às experiências de guardiões e guardiãs da agrobiodiversidade.

Dicas de Como Gravar o seu Vídeo

É importante que a sua história seja seja bem contada. Isso inclui a busca pela melhor imagem e som. Por isso, o prêmio #AHistóriaQueEuCultivo traz aqui algumas dicas para que vocês arrasarem nos vídeos. Confira:

– Os vídeos devem ser gravados com o celular ou câmera na posição horizontal.
– Evite gravar em locais escuros.
– Se escolher gravar em ambiente externo, evite momentos com muito vento. O vento prejudica o som e queremos te ouvir bem.
– Evite gravar em modo selfie. Peça para alguém gravar enquanto você fala.
– Procure filmar imagens de suas sementes, sua terra, sua roça, dentre outros elementos que ajudem a explicar a sua história. Sempre na horizontal!
– Se possível, utilize o microfone que vem embutido no fone de ouvido do celular.
– Mantenha a câmera o mais estável possível. Imagens muito tremidas tiram o foco da sua história.
– Planeje os movimentos de câmera antes de gravar. Exemplo: se for filmar uma pessoa dando o seu relato de frente para a câmera e, em seguida, for mostrar um detalhe da sua semente, pense antes como fará essa sequência de imagens.

Emília Alves Manduca: animadora de sementes e das lutas

15 de outubro de 1956. Nasce Emília Alves Manduca em Paraíso do Norte, Paraná. 17 de março de 1997, data registrada em um dos seus poemas como um “novo nascimento”. “Entre dois paredões de pedra, com luzes de caminhão e faroletes nas mãos, comecei a encontrar a minha dignidade”, escreveu sobre o momento em que, de madrugada, durante uma ocupação de uma fazenda improdutiva, “ela nascia nas bases do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)”. O episódio ocorrera em Mirassol D’Oeste, no Mato Grosso, região onde Emília cultivaria sua história de vida. Mulher negra, mãe de quatro filhos, avó de três netos, militante de muitas bandeiras, Emília faleceu no dia 1 de setembro de 2020, vítima de complicações pulmonares.

O legado deixado por ela é fantástico. A ocupação da qual ela participara nos anos 1990 se transformaria, após anos de luta, no Assentamento Roseli Nunes, onde semeou, ao lado de suas companheiras e companheiros, diversas mobilizações pelos direitos dos povos. Já no primeiro assentamento do qual participou, surgia a prática de coletar sementes de hortaliças, verduras, arroz, feijão, milho, dentre outras. Mas, na época, o pessoal ainda não sabia diferenciar as sementes nativas, híbridas ou transgênicas. Com o passar do tempo, Emília contava que foi “se educando na agroecologia”, transformando-se em uma “animadora de sementes crioulas”. E a cada semente que ela catalogava, guardava e trocava nas diversas feiras e encontros agroecológicos pelo Brasil, também semeava sabedoria, com ideias e ações em defesa da agrobiodiversidade.

Emília levantou a bandeira da reforma agrária, da luta contra os agrotóxicos, em defesa das águas, da educação no campo, dos direitos das mulheres, do cooperativismo… Mesmo após conquistar legalmente seu pedaço de terra em 2002, continuou vivendo “de acampamento em acampamento, de despejo em despejo”. Dizia que já tinha “terra e pão”, mas que continuaria sempre sendo Sem Terra enquanto vivesse.

“Estamos aqui para que esse povo todo seja assentado. Enquanto as injustiças estiverem acima dos trabalhadores e da vida, continuarei lutando”, afirmava Emília. E assim o fez. Integrou o MST, o Grupo de Intercâmbio em Agroecologia (Gias), a Associação Regional de Produtores Agroecológicos (Arpa), a Cooperativa de Produção Agroecológica da Região Sudoeste do Estado de Mato Grosso, o Grupo de Mulheres Produtoras da Cerveja Artesanal Crioula, dentre outros.

Dona Emília, ou simplesmente Mimi, esteve presente rompendo cercas com rebeldia. Esteve presente na construção dos barracos e nas cozinhas dos assentamentos. Esteve presente na formação de novos militantes, nas assembleias e protestos. Esteve presente nas cirandas, cuidando das crianças. Ajudou a criar formas de viabilizar a educação de jovens e adultos no campo. Nos momentos de despejo, quando a fome ameaçava, juntava alimentos produzidos em assentamentos vizinhos e entregava comida, coragem e esperança. Ela esteve e sempre estará presente. Seus sonhos também são os nossos sonhos. Por isso, em agradecimento, o Grupo de Trabalho (GT) Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) presta homenagem a ela por meio do Prêmio #AHistóriaQueEuCultivo.